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Covid-19 e nossos aprendizados



"Tudo acontece como deve ser". Há quem acredite nessa afirmação com todas as forças e existem também os mais céticos. Em um mundo frenético de negócios, em que raramente temos tempo suficiente para refletir e focarmos em nós, temos eternamente a falsa sensação de controle. São metas, estratégias, organização, planejamentos e, de repente, o mundo parou .. desesperador ao primeiro olhar!

"Como vamos sobreviver?", "O que faremos?" "Logo agora que acabamos de entrar em nosso primeiro ponto de venda!" todas essas dúvidas vieram com todas as forças, exatamente ao mesmo tempo em que tínhamos uma degustação planejada na La Fruteria. E eis que, a 1:30h do evento de inauguração, eu (Nath, no caso, a fundadora da Pingo), deixei cair uma panela de chá fervendo nas minhas mãos e braços e me queimei inteira. Naquele momento tudo desabou: eram as queimaduras, o Covid-19, o mundo parado e aquela sensação de impotência que assola. Cadê o controle e o planejamento que, há 5 minutos, pareciam tão certos e perfeitos?

Pois bem. Precisei de uns 2 dias de recuperação, principalmente da mente, para recolher os pedaços e entender como prosseguir. A verdade é que ninguém tem certeza do futuro, todos ainda se perguntam " e agora? ". E eu, desculpem decepcionar, infelizmente não tenho a resposta... O que eu tenho para compartilhar, no entanto, são as minhas percepções sobre o momento.

Decidi criar a Pingo acreditando piamente na ideia de fazer negócios do bem, visando contribuir da forma que eu pudesse para a comunidade ao meu redor. Nunca foi sobre dinheiro, sobre metas ou sobre sonhos materiais megalomaníacos. Eu realmente sempre acreditei que a empresa um dia pudesse contribuir para um mundo melhor, como exemplo de um negócio que nasceu e cresceu, desde o início, da forma mais correta possível, plantado e regado a muito amor e carinho. Diante dessa crise, a simples possibilidade de ver esse sonho se desmoronar foi terrível.

Então, alguns dias passaram, e eu reparei que as pessoas começaram a se ajudar mais, a se preocupar com o próximo, a entender que todos estamos no mesmo barco. Independentemente da condição de cada um, o medo é comum a todos. Percebi que muitos passaram a ajudar seus vizinhos, com quem nunca antes haviam falado, a favorecer os pequenos produtores locais, para que esses não quebrassem. Lógico que ainda vemos muito egoísmo por aí, mas toda essa onda de solidariedade me faz crer que o nosso sonho é possível: vimos pessoas em suas varandas cantando músicas de esperança e grande parte do mundo se unindo em um abraço do bem.

Foi aí que eu entendi... Eu criei a Pingo pensando justamente em contribuir de forma positiva para a evolução da sociedade e para padrões de consumo saudáveis e mais adequados com o que eu acredito como o futuro ideal. Coincidentemente ou não, justamente no momento mais difícil em que já passamos como empresa, vislumbramos que nosso sonho é, sim, possível.

Sem dúvidas é muito triste o efeito colateral desse momento, não vamos menosprezar isso ou romantizar uma pandemia. No entanto, frente ao imponderável e ao que não temos controle, o que podemos aprender com isso? É essa a pergunta que tem nos levado para frente nesse momento, para sairmos dessa crise ainda mais fortes e com a convicção de que contribuir para a construção de uma sociedade melhor é um sonho mais que possível. Não somente um sonho, mas, principalmente, uma obrigação, sobretudo quando vemos em 15 dias a natureza se recuperando, as pessoas envolvidas em um laço de solidariedade e o sentimento de esperança no coração de muitos! Isso se torna combustível para fazermos ainda mais o nosso papel no mundo. E, assim, passamos a encarar os obstáculos que esse momento nos coloca como pequenos inconvenientes a serem, em um futuro breve, resolvidos.

As minhas mãos estão com bolhas descascando, as vendas não estão lá excelentes e as contas continuam chegando. Mas uma coisa esse turbilhão de sentimentos nos ensinou: vai ficar tudo bem, é só uma fase.

E que nesse momento a gente consiga respirar, focar em nosso autocuidado e autoconhecimento, pegar aquele livro que você está dizendo há meses que vai começar a ler, fazer sua xícara de Pingo e aprender a ficar confortável em estar presente.

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